Ama-te e aceita-te como és!

Quando comecei a minha terapia, descobri variadíssimas coisas acerca de mim própria. Uma delas foi que não… era assim tão segura de mim e passava grande parte da minha vida a tentar agradar aos outros e a buscar a perfeição (no sentido de que, para mim, a perfeição era conseguir alcançar aquilo que eram as expetativas dos outros).

Pois é, pensamos nós que nos conhecemos tão bem e, de repente, temos destas surpresas.
Com isto vieram também duas revelações importantes:

1. A perfeição não existe!
2. Mais importante, é agradares a ti própria, os outros que de facto importam, e se importam, gostarão de ti e aceitar-te-ão simplesmente pelo que és, ou terão sempre algum dedo a apontar-te, independentemente do que faças.
A necessidade de estar sempre a agradar aos outros leva a uma dissociação da nossa personalidade,  acabando, a prazo, por nos tornar pessoas menos felizes.

A verdade é que isto me levou a chegar a um ponto da minha vida, sem saber exatamente quem era.

Difícil conclusão? – Muito!

Quem sou?
É uma pergunta que não nos ocorre fazer, porque não é pertinente, porque nem sequer pensamos nisso, ou, simplesmente, porque nos defendemos  das respostas que achamos que vamos encontrar.
Acontece com a maior parte de nós, termos imensa dificuldade em falarmos sobre nós próprios, as nossas características, o que nos define e como nos vemos e posicionamos perante o mundo.

Simplesmente, porque não sabemos. Estamos demasiado ocupados a tentar ser aquilo que “temos que ser” para agradar aos outros.

Ainda hoje, quando me recordo de um dia específico da minha terapia, rio-me imenso…
Um dia cheguei à minha sessão de terapia e a terapeuta disse-me:
– Hoje vamos para a Rua, vamos fazer um exercício prático.

Senti um disparo de ansiedade percorrer o meu corpo. Antevia que aquilo implicava expor-me e desafiar a minha necessidade de ” perfeição” e de agradar a todos.
Fomos para um centro comercial… Ui!!! O exercício consistia em expor-me ao ridículo, perante o maior número de pessoas possível, entrando em lojas e pedindo os artigos mais inusitados, que nada tinham a ver com os artigos ou serviços comercializados naquela “loja” :). Exemplo: Ir à loja dos CTT e pedir frango assado. Ridículo? É escasso para o que senti… ????

Objetivo do exercício: Fazer-me entender, que o que os outros pensam sobre mim não tem de corresponder, de todo, à realidade. Portanto, o julgamento dos outros sobre a minha pessoa não me define, mesmo.

Perguntas tu:
O objetivo foi atingido? Nunca mais te preocupaste com a opinião dos outros sobre ti?
Sem dúvida! E sim, preocupo-me com a opinião dos outros, mas, confesso, que cada vez menos.

As opiniões dos outros que mais considero, são as das pessoas que me acompanham no caminho, que me Amam e que eu Amo, que choram e riem comigo, que acompanham as minhas dores, as minhas alegrias e os meus desafios. Que me dão a mão e me ajudam a levantar, quando caio.

Agora escolho quem quero que sejam os “meus” outros. É um privilégio que lhes concedo.
Ama-te e aceita-te como és!

ESTÁ TUDO BEM…

@orlanda_sampaio

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