Caminho de Autoconhecimento

O bem mais precioso que temos na vida é o TEMPO!

Não quero maçar-te com explicações longas… e pormenorizadas, mas sinto que antes de iniciar esta nova caminhada de mãos dadas contigo, devo contar-te o essencial do meu percurso, pois só assim perceberás que não sou diferente de ti, não sou uma super-mulher e houve um tempo (bastante longo, por sinal) em que não vivia segundo as premissas sobre as quais te vou escrever. Parece-me, agora, um pouco estranho…

Foram precisos vários encontrões e trambolhões na vida, para me fazerem parar e tentar perceber qual seria o caminho certo para o meu EU. Em 2006, quando iniciei esta caminhada, não fazia ideia por que caminho deveria conduzir a minha vida, mas sabia, com determinação que bastasse, que não queria continuar pelo caminho que vinha seguindo.

As dúvidas eram muitas, porém a certeza de que: por aqui não – ganhava uma força crescente em mim, ao ponto de me catapultar para o desafio imenso de angústias e conquistas.

Até essa data, vivia sem fazer grandes introspeções e análises criticas e conscientes ao que me acontecia. Vivia de acordo com o que era socialmente aceite e sempre preocupada em agradar ao que pensava serem os padrões “normais”, em ser aceite, em corresponder às expetativas dos outros que eram por mim formuladas, sem parar para pensar no que eu queria para mim e se aquilo era o que me fazia feliz.

Comecei aos 18 anos a ter severos ataques de ansiedade, mas fazia medicação e tudo voltava ao normal. A primeira coisa que desafiei foi o paradigma da normalidade – afinal, o que é ser normal? – acredita, não obtive uma única resposta satisfatória. A palavra “normal”, aprendi eu, não é mais do que uma formulação semântica de ignorância. Nenhum cientista utiliza, no contexto intelectual ou emocional, a palavra normal. Utiliza sim, as palavras: “previsível”, “dentro dos padrões”, “expectável”, entre outras que também conheces.

Aos 20 anos, a ansiedade começou a aumentar exponencialmente, ao ponto de ter medo de tudo e não conseguir explicar exatamente do quê, nem porquê. Procurei ajuda médica, fui medicada, ajudou bastante e, felizmente, durante muitos anos. Mas, sempre que tentava deixar a medicação, voltava tudo outra vez.

Eu não queria pensar muito no assunto, só queria fazer a minha vida e ser “normal” – aqui voltava a questão da “normalidade” que nunca nos larga…
Em 2006, o médico que me seguia, ao qual estarei eternamente grata, encaminhou-me para uma colega – Psicóloga Clínica – que ele acreditou poder ajudar-me a gerir a minha ansiedade.

Não hesitei um único segundo em marcar a primeira sessão. Estava farta de altos e baixos! Achava que não aguentava mais! Como estava errada nessa altura… o ser humano aguenta muito mais do que sequer conseguimos imaginar!

Foi aqui, precisamente a 21.11.2006, naquela primeira sessão, que a minha jornada de autoconhecimento começou. Foi um choque, mas senti uma esperança imensa na ajuda daquela pessoa que tinha uma forma de estar e comunicar completamente diferente. Se me inspirei nela? Claramente que sim!

Mudar os nossos paradigmas, crenças, e forma de estar na vida, requer muita motivação, empenho, resiliência e sentir a vida de forma muito consciente. Eu estava mesmo disposta a fazer diferente.

Já tinha algum caminho andado desta nova jornada, feito de sucessos e insucessos, quando de novo a vida me mostrou que pode sempre acontecer pior. O meu marido, inesperadamente, aos 40 anos, ficou gravemente doente, com um prognóstico difícil de digerir. Mas tive que o digerir, e digeri!

Estávamos em 2013. O meu mundo, com uma filha de 3 anos, tal como o conhecia, desabou abruptamente e sem qualquer pré-aviso. Claro que me fui abaixo, provavelmente mais do que nunca e mais do que as palavras podem exprimir. Foi uma angustia vazia de esperança e uma ausência absoluta de expetativas. Nessa circunstância, a minha ansiedade subiu a níveis que jamais imaginei.

A minha vulnerabilidade e exposição ao desconhecido atingiu todos os limites que, penso agora, jamais imaginei aguentar. Mas aguentei!

Valeram-me, nessa altura, algumas ferramentas da minha bagagem que já tinha aprendido a usar, como a coragem, a tranquilidade de aceitar o caminho, o foco no que de facto me interessa e uma energia positiva que era mandatório partilhar com quem mais dela precisava. O doente!

E percebi, percebi, claramente que o bem mais precioso que temos na vida é o TEMPO e temos que o estimar.

Desde esses dias até hoje e agora, que tento, todos os dias, viver de forma consciente no exato momento em que estou e, dessa forma mais conectada comigo e com os outros, alinhada com o meu propósito de vida e com aquilo que desejo para mim e para quem mais Amo.

Importante para mim é o facto de já terem passado mais de 6 anos sobre esses dias de escuridão e ausência de expetativa. Entretanto, nestes mais de seis anos, vivemos os dias mais maravilhosos e intensos da nossa relação a 2. Em pura comunhão e partilha como nunca tinha acontecido. Com uma intensidade que nos preenche e nos anima para encarar os desafios constantes daquela doença – que é tão maldita quanto abençoada porque nos permitiu desfrutar do TEMPO como nunca.

A doença mantém-se e poderia chorar imenso por isso. Porém, a presença também se mantém e por isso sorriu e agradeço todos os dias. Afinal, mudamos de caminho. Mas, o que realmente me interessa é fazê-lo com quem escolhi, seja ele qual for, mesmo que seja mais difícil, desafiante e até mesmo angustiante.

Este crescimento interior que me levou a valorizar o que achava adquirido, será o processo de autoconhecimento que quero partilhar e que me salvou e talvez também a ele… quem sabe?

Tenho dias em que não consigo estar em pleno, mas não faz mal…ESTÁ TUDO BEM…

@orlanda_sampaio

Add A Comment