Chega de tentar ser feliz!


Um destes dias, deparei-me com um post de uma amiga que sigo no Facebook, acerca da imposição… que sentimos por parte da sociedade para sermos felizes. Falava também da forma como nos sentimos frustradas quando, não nos sentimos alinhadas com o que é suposto sentir e, como nos sentimos diferentes por não seguir todas as receitas – que, como num passe de mágica nos tornarão mais felizes- com as quais somos bombardeadas a toda a hora e de todos os lados, para alcançarmos a tal da felicidade.


Este post, fez-me lembrar algum do conteúdo de um livro do Mark Manson, que li há algum tempo, cujo o título é bastante sugestivo: “A Arte Subtil de Saber dizer Que Se F*da”.


Este livro fala sem filtros e com linguagem pura e dura, dos tempos de insatisfação que se vivem, muito por responsabilidade da busca desenfreada pelo que pensamos que nos fará mais felizes.


Confesso, que este livro me suscitou algumas questões sobre a verdadeira definição do conceito felicidade.
Penso que não existe um único modelo de felicidade, cada uma de nós sente a felicidade e vive-a de forma muito própria.


Depois de alguma reflexão sobre o conteúdo do livro, e agora depois de ler este post, não consegui calar a vontade de me manifestar acerca deste tema.
Peço desde já desculpa, pois este é um tema que pode ferir algumas susceptibilidades, ou até incorrer no risco de ser mal interpretada. Ainda assim, escolho correr o risco!


Temos que parar de tentar ser felizes, porque quanto mais tentamos, mais reforçamos dentro de nós que não o somos.


Vivemos numa sociedade em que a cultura atual se foca essencialmente em expectativas irrealistas sobre a felicidade. Temos que ter mais sucesso, ser mais saudáveis, mais ricos, mais inteligentes, ter um carro melhor, uma carreira de topo, um casamento mais feliz, os filhos mais inteligentes e com melhor performance escolar, mais, mais, mais, mais…


Somos bombardeadas a toda a hora com livros motivacionais de como ser mais positivas, como ganhar mais dinheiro, como ter um corpo de sonho, como ter os filhos perfeitos, como ser-se perfeita, tudo com a premissa que dessa forma seremos mais felizes.


Na ânsia da busca de tanta felicidade, nem sequer nos apercebemos que todo isto ainda nos concentra mais naquilo que consideramos serem as nossas insuficiências pessoais, tornando-nos ainda mais infelizes e menos focadas naquilo que verdadeiramente importa.


Queremos aprender sobre como ganhar mais dinheiro, porque naturalmente achamos que ainda não temos o suficiente, continuamos a fazer dietas loucas, porque achamos que se perdermos só mais dois quilinhos ficaremos realmente bem, vai aumentar a nossa auto-estima e dessa forma poderemos ser verdadeiramente felizes.

Estamos sempre adiar a felicidade para a concretização do projeto seguinte. Se eu conseguir ser mais magra, serei mais feliz, se conseguir ir de férias para o sitio xpto, conseguirei finalmente relaxar e então conseguirei sentir-me mais feliz, quando conseguir aquela promoção no emprego, sentir-me-ei finalmente valorizada e mais feliz, sempre o SE e o QUANDO a alavancarem as nossas expectativas de conseguirmos mais felicidade.

E a vida vai passando e, os SE e QUANDO vão prevalecendo. Estamos sempre à procura de mais e, nessa busca desenfreada nem sequer nos apercebemos que o único motivo porque o fazemos é porque ainda não nos consideramos suficientemente merecedoras de ser felizes. Vivemos numa cultura de escassez. Nunca chega!


ESTÁ TUDO BEM…querermos uma versão melhorada das nossas vidas, é um direito de qualquer ser humano, diria até um dever, procurar sempre melhorar, mas penso que devemos fazê-lo principalmente relativamente ao que somos, não ao que possuímos.


Já pensaram que sempre que estamos a ambicionar, mais, mais e mais, e a fazer depender a nossa felicidade daquilo que não temos, estamos a tornar-nos mais infelizes, estamos a reforçar os nossos sentimentos de escassez e não pertença?

É muito difícil escapar desta teia, estamos constantemente a ser bombardeadas com anúncios, que nos passam a mensagem que a chave para uma vida mais plena e feliz é ter sempre mais e melhor. O mundo diz-nos o tempo todo que o caminho para uma vida melhor é ter sempre mais, mais e mais.


Já repararam? Desde que comecei este artigo o foco está sempre no ter e nunca no ser, isto não é um problema unicamente meu, nós Seres Humanos somos assim.


Estamos a projetar a nossa satisfação pessoal naquilo que ainda não temos, sempre a acreditar que é no futuro que reside a chave para a nossa felicidade.


Já se deram conta que o facto de fazermos depender a nossa felicidade de planos futuros, cativa a atenção que deveríamos dedicar, sobretudo, ao agora? É o único momento que temos garantido. Desculpem-me lembrar-vos disto, afinal é um assunto que todas queremos esquecer… a nossa finitude e falibilidade.


É duro, mas a verdade é que a nossa finitude é uma realidade e, não há plano ou estatuto algum que possa mudar isso.


Portanto, posto isto, não será intelectual e emocionalmente mais inteligente que façamos um esforço verdadeiramente consciente para aprender a ver beleza do que já conquistámos e ser gratas por isso? Isto treina-se, pondo em prática todos os dias.


Quanto mais lutarmos para ter e ser aquilo que consideramos ser a fonte da nossa felicidade, mais inalcançável ela nos parecerá. A insatisfação faz parte do ser humano, e, ESTÁ TUDO BEM…alguma dose de insatisfação até é desejável, apenas deixa de o ser, quando isso transforma a nossa vida numa busca desenfreada, sem rumo e sem sentido.

@orlanda_sampaio

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