Educar para a empatia

Qual a definição exata, ou mais científica, de empatia?

Empatia significa ter a capacidade de nos colocarmos… no lugar do outro, reconhecer a sua perspetiva nas circunstâncias concretas em que se encontra, sem julgamentos ou juízos de valor sobre a sua conduta.

O amor incondicional que temos pelos nossos filhos, é tal que, à primeira vista, não nos parece difícil criar empatia com eles. Este é um exemplo concreto de empatia e Amor espontâneos e incondicionais.

É fácil, para nós mães, incorporar e sentir as dores e as perspetivas dos nossos filhos quando estes se magoam, quando estão tristes ou frustrados, ou até mesmo quando alguém os feriu. Contudo, o mesmo não se passa quando este faz uma birra, esperneia, atira coisas ou grita.

Também é difícil fazê-lo, quando as suas opiniões e interesses colidem ou não estão alinhados com os nossos.

Para mim, confesso, é muito difícil ser empática com a minha filha, quando ela testa ou tenta alargar os meus limites, não faz o que lhe peço, ou aquilo que pensa e quer não é o que considero acertado, justo ou educado.

Educar os nossos filhos com empatia implica fazê-lo de forma consciente, coerente, calma e com plena convicção. Porém, todos sabemos que não é um processo sempre fácil. As nossas emoções em confronto com as dos pequenos seres em processo de formação de carácter e personalidade ( com fortíssimas convicções subconscientes de que o caminho correto é o confronto e a ameaça), são geradoras de tensão familiar, usurpadoras de tempo e disponibilidade mental e emocional e na maioria dos casos resultam em conflitos.

É um processo penoso, muitas vezes com as nossas convicções em cheque e, não poucas vezes, ensopadas em lágrimas de angústia, duvida e insegurança sobre o impacto a médio prazo das regras que vamos impondo. Mas educar é isto mesmo! A meu ver, é um investimento emocional consciente de uma das partes para tentar influenciar a formação de carácter e personalidade da outra parte que, cremos, ser menos consciente. O resultado? – Esse, será percebido quando tivermos pouca ou nenhuma influência na sua vontade. É um “jogo” injusto? – talvez; se me apetece fugir dele ou tirar uma pausa? – às vezes; mas escolho sempre ficar, porque o Amor e comprometimento são os sentimentos que mais realizam um ser humano com uma mente comum.

Como é importante para mim, educar com empatia e para a empatia, quando me sinto mais intolerante, o que faço é:

Procuro obter o máximo de informação possível, por via da criança, mesmo correndo o risco da sua interpretação e natural enviesamento – Isso permite-me ganhar tempo.

Respiro fundo e procuro ser empática e didática – Tento lembrar-me porque escolhi  educar com empatia e enfatizar o que de facto interessa como resultado do “confronto”.

Com o treino, cada vez com mais frequência, estes passos costumam ajudar – Isso é motivador – , mas confesso que nem sempre consigo manter-me focada, sem que perca a calma,  e “me salte a tampa”.

Treinar a empatia nas nossas relações pessoais e parentais, requer que esta se cultive de forma intencional, permanente e coerente. Não é aceitável que sejamos empáticos às vezes ou quando nos interessa. A necessidade de empatia está diretamente dependente da dimensão do conflito ou confronto. Porém, as nossas emoções nem sempre o permitem. Por isso, recorro ao Mindfulness  e à Meditação formal com o objetivo de educar e condicionar a minha mente no sentido do caminho que decidi escolher.

Através da empatia, é mais fácil para mim, atribuir igual valor à opinião da minha filha e ver as coisas a partir da sua perspetiva – Será sempre mais fácil reconstruir o equilíbrio a partir de uma base de raciocínio que conheço. Posso colecionar mais argumentos e convencer a criança, em detrimento de a vencer. Ninguém quer ter filhos vencidos! Eu assumo que não quero!

A atenção que os nossos filhos requerem a todo o momento, pode ser esgotante e geradora de doenças, pontuais ou permanentes, da mente.

No entanto, uma criança sempre bem-comportada, sossegada, que não responde mal, que raramente argumenta, poderá ser uma criança que aprendeu a desistir, que foi “treinada por nós “para não ser perseverante e lutadora pela conquista do que acredita.. É mais uma aposta sem que tenhamos feedback contínuo sobre o resultado. Termos essa consciência é um passo gigante para que nos mantenhamos num processo educativo empático, porém coerentemente firme e altamente motivado. 

Tento lembrar-me sempre que empatia atrai conexão. Por seu lado, conexão gera confiança. A confiança é a maior garantia de partilha que podes ter. A partilha permite saberes mais e mais cedo o que passa pela cabeça, neste caso concreto, dos teus filhos.

 Conheces os teus filhos melhor que ninguém, desempenharás, com toda a certeza, o teu melhor papel na sua educação. Todavia, arrisco o conselho: mantem-te humilde e atenta, porque este processo, seja qual for o modelo que adotes, não tem garantias de sucesso.  

No entanto, penso que seria importante para todas nós, gastarmos algum tempo para pensar nestas questões:

Será que queremos ensinar os nossos filhos a desistir?

Será que, termos filhos que se fecham emocionalmente e percam a sua espontaneidade, é o que queremos?

Ou

Queremos formar indivíduos para quem os sentimentos contam, que sabem que há pessoas em quem podem confiar e que ajudarão sempre?

Queremos que os nossos filhos, saibam que é seguro serem francos, expressivos, que podem sempre expor o que precisam e querem? Claro! Ainda assim não deixarão de ser independentes – isso é coragem!

Uma criança deve ter consciência da sua vulnerabilidade e encará-la. Só assim se aposta numa personalidade corajosa, ao aceitar que a sua vulnerabilidade será a sua maior “alavanca”, geradora de coragem e autenticidade numa sociedade, lamentavelmente, camuflada.

Sejam quais forem os teus insights, certezas e dúvidas, por favor partilha o que pensas sobre este tema, para que, umas com as outras, aprendamos a ser melhores mães.

Sermos melhores mães tornará o “contexto dos nossos filhos” melhor e mais simples e, aí sim, ESTÁ TUDO BEM…

@orlanda_sampaio

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