“Lifting” de Autenticidade


Sempre acreditei ao longo da minha vida que a autenticidade era uma característica com a qual se… nascia ou não. Admirava esta característica naqueles em que a reconhecia, que os tornava tão verdadeiros e honestos consigo e com os outros.


Eu, ao invés disso, sempre tive uma grande necessidade de agradar a todos para me sentir enquadrada e, pensava eu – como estava errada- que agradando, seria mais facilmente aceite por todos.


Com a psicoterapia e com a vida, aprendi que a autenticidade, tal como outras características que tanto apreciamos nos outros é uma escolha consciente.

Ser autêntica requer coragem, mas como tudo o que depende exclusivamente de nós, é uma escolha consciente de como queremos viver.


É a escolha de nos mostrarmos aos outros como realmente somos. É ser-se honesta com os outros, mas principalmente connosco próprias.


É permitir que o nosso verdadeiro “EU” seja visto.
Ao longo da minha vida já conheci pessoas que praticam conscientemente a autenticidade, já conheci pessoas que não são autênticas de todo, e existem aquelas pessoas que tal como sou atualmente, na maior parte dos dias são autênticas e noutros são-no menos.


Digo isto, porque se estou numa situação ou dia, em que estou a ser invadida por uma enxurrada de ansiedade ou vergonha, sou capaz de me render e voltar ao modo agradar.


Dizem os entendidos e, eu já o comprovei na prática, que auto-questionamento, a vergonha e o medo de não sermos suficientemente boas levam à fuga da autenticidade.


Tenho um mantra que costumo correr mentalmente e que me ajuda nestas situações:
“Posso não agradar a todos, mas sou fiel a mim própria e sei exatamente quem sou e o que defendo”.


Escolher ser-se autêntica pode revelar-se uma luta difícil e deixar-nos exaustas.

Escolher a autenticidade numa sociedade que quer ditar tudo, desde aquilo que vestimos, como devemos estar na vida e o que devemos ou não sentir, é um feito de grande coragem.


Vivemos numa sociedade em que a critica cruel e a classificação sem critério é fácil, principalmente com as redes sociais onde podemos fazê-lo de forma anónima.
Vivemos numa cultura em que o mote é enquadrarmo-nos e agradarmos.


Ser-se autêntica implica que aceitemos que somos imperfeitas, que aceitemos quem somos e que, por vezes, esqueçamos quem devemos ser.
Este é o meu grande “tendão de Aquiles”, o meu ponto fraco -aceitar a imperfeição. Para mim é mais fácil aceitá-la nos outros do que em mim própria. Mas estou a melhorar e a aceitar mais naturalmente a minha condição Humana. A perfeição não existe.

Todas falhamos e, acredito cada vez mais que as falhas nos fazem crescer mais do que os sucessos.


Isto leva ao ponto seguinte; exercitar a auto-compaixão ajuda no processo da autenticidade. Quanto mais generosas e tolerantes formos para connosco e com as nossas falhas, melhor nos aceitamos e mais facilmente nos mostramos como somos verdadeiramente sem a preocupação de estar a agradar ou não.


Quando comecei a praticar a autenticidade, comecei a sentir uma maior conexão com os outros, mas principalmente comigo, comecei a perceber quem sou verdadeiramente.


Só alimentando a conexão e a sensação de pertença, conseguimos ultrapassar os nossos sentimentos de escassez.


Quando apostei em escolher a autenticidade para a minha vida, estava de pré-aviso que provavelmente as pessoas à minha volta, iriam ter dificuldade em perceber como estava a mudar e porquê.
A nossa mudança pode ser muito assustadora para os que nos rodeiam. Os nossos filhos e companheiros podem sentir-se inseguros.

Felizmente cá em casa o diálogo é uma constante, por isso a minha mudança nunca foi vista como um problema. Antes pelo contrário, o João (meu marido) é a pessoa mais autêntica que conheço, por isso, para ele, estranho é não vivermos de acordo com o nosso verdadeiro “EU”.


Mas com os amigos a coisa não foi tão pacifica.. A nossa mudança pode afetar e muito a nossa relação com eles.
No meu caso pessoal, alguns amigos ficaram pelo caminho. Quando começamos a ser mais autênticas também percebemos mais claramente com quem nos identificamos ou não. Não é um problema nosso, nem dos outros, simplesmente tendemos a estar mais perto de quem está no mesmo comprimento de onda.


Outras pessoas encontrarão inspiração no nosso novo compromisso, outras acharão que é todo fogo de vista – e isso interessa?


Apesar de ter começado a fazer psicoterapia em 2006, só a partir de 2016, quando senti necessidade de voltar a ter algum acompanhamento e a minha terapeuta me pôs em contacto pela primeira vez com o Mindfulness e com o programa “Daring way” da já conhecida Brené Brown, decidi definitivamente comprometer-me com a autenticidade.


Como é uma prática consciente relativamente recente, ainda há muitos dias em que ser autêntica me levam a uma dura batalha, com vozes internas diabólicas que me dizem coisas do género:


E SE, eu acho que sou suficiente boa e os outros não?
E SE, eu mostrar o meu verdadeiro “EU” imperfeito e ninguém gostar?
E SE, os meus familiares e amigos gostarem mais do meu “EU” “perfeito”?


Ser autêntica não quer dizer que nos estejamos completamente borrifando para o que os outros pensam ou sentem, porque isso também levaria à desconexão.


Para mim continua a valer a opinião dos outros, mas não deixo de dar a minha, continuo a fazer com que os outros não se sintam desconfortáveis, mas não há custa de eu ficar, tenho o máximo cuidado para não ferir os sentimentos dos outros, mas não há custa de não dizer o que me vai na alma, ferindo os meus próprios sentimentos.


Sinto-me inspirada por todas as pessoas que vivem integralmente o seu “EU” autêntico e que têm a coragem de partilhar as suas opiniões com o mundo, independentemente do julgamento e aceitação dos outros.

Vou propor-te um exercício:
Ao pensares sobre a autenticidade, encontra palavras ou frases que te venham à cabeça que reflitam o que significa para ti autenticidade. Constrói o teu próprio Mantra.


ESTÁ TUDO BEM…só tem que fazer sentido para ti, não te preocupes com o que significa para os outros.✨

Até breve!
????❤


@orlanda_sampaio

Comments

  1. Patriciacf

    É libertador “ler-te” e acompanhar o teu crescimento enquanto pessoa. É uma honra crescer contigo e caminhar na tua companhia!

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