Menos dietas e mais alimentação com atenção plena!

Este artigo não é sobre nenhuma dieta inovadora – já existem suficientes – também não sou médica,… nutricionista ou dietista para prescrever dietas. No entanto, sou alguém que pode e deve partilhar a sua experiência relativamente à forma como podemos e devemos alimentar-nos, com mais atenção plena e consciência.

Posso dizer-te que quando se trata da loucura por comida, sei bem do que falo, pois adoro comer. E não vou dizer-te que consigo manter-me mais ou menos em forma porque fui bafejada pela sorte da boa genética. Tento sempre que possível, fazer uma alimentação saudável, praticar exercício físico regularmente e praticar alimentação com atenção plena.

Nunca foi muito dada a dietas, como disse anteriormente são restritivas e monótonas. Conseguimos mantê-las durante algum tempo, mas acabamos por nos sentir desgastadas de lutar para não comer coisas que gostamos, lutar constantemente com a balança e passarmos grande parte do tempo a sonhar com um corpo que nunca será alcançado, porque não é realista.

Chega de perseguir uma imagem corporal que está sempre um passo à nossa frente!

A verdade é que hoje em dia, com toda a informação que existe à nossa disposição, todas conhecemos as regras, sabemos perfeitamente quais os alimentos que promovem uma boa saúde e quais os alimentos que quando consumidos em quantidades excessivas, conduzem ao aumento de peso, obesidade e alguns tipos de doenças. Então porque não mudamos os nossos hábitos alimentares?

A decisão sobre o que comer começa na nossa própria mente.

Embora possa ser influenciada por vários fatores, a verdade é que a decisão de escolher um alimento em detrimento de outro surge de um pensamento ou de um sentimento ou emoção e da nossa disposição para nos envolvermos e perseguirmos esse pensamento ou sentimento.

Nem sequer nos damos conta disso, porque estamos demasiado ocupadas e, tal como inúmeras coisas que fazemos em piloto automático, também com a alimentação é assim. A maior parte das vezes, comemos a correr, ou a consultar as redes sociais, a ver televisão, a fazer o relatório que já devíamos ter entregue há dias e inúmeras vezes, comemos não porque temos fome, mas sim em busca de conforto emocional.

A alimentação consciente ensina-nos a ir à causa das nossas necessidades alimentares e dessa forma tomar uma decisão consciente do que comer e quando comer.

Quando começamos a comer com atenção plena, conseguimos identificar se estamos a comer porque temos fome, ou para confortar alguma carência emocional ou ansiedade que possamos estar a sentir.

Numa sociedade que anseia por conselhos sensatos sobre a perda de peso e a imagem corporal, surpreende-me que a alimentação consciente só há alguns anos tenha chegado ao ocidente.

Comigo as mudanças nos hábitos e rotinas alimentares, bem como a prática de exercício físico e a consciência relativamente à forma como escolho alimentar-me foram acontecendo de uma forma muito natural.

Quando comecei a interessar-me por desenvolvimento pessoal e a conhecer-me melhor e a olhar mais para dentro de mim, com as mudanças mentais e de pensamento, comecei também a sentir necessidade de reorganizar tudo o resto, e isso passava pela consciência alimentar.

Com a prática de meditação baseada em Mindfulness, viver todas as áreas da nossa vida de forma consciente, passa a ser uma forma de ser e viver.

O Mindfulness tornou-se um tema do dia no âmbito da investigação científica. Universidades e instituições medicas respeitadas em todo o mundo estão a publicar atualmente artigos científicos sobre os benefícios da meditação baseada em Mindfulness em todas as áreas da nossa vida, incluindo alimentação.

Se já experimentaste todo o tipo de dietas sem sucesso, recomendo-te que experimentes o Mindfulness aplicado à forma como te alimentas.

Duas premissas muito importantes que não deves negligenciar se tencionas adotar a prática da alimentação consciente:

  • Deves ter muito claro qual a tua verdadeira motivação.

Porque queres alterar os teus hábitos alimentares? Para ser mais saudável, perder peso, mudar a forma do teu corpo? Porque alguém te disse que deves fazê-lo?

Para fazer mudanças sustentadas é importante que a motivação seja clara e saber exatamente porque queremos operar essa mudança na nossa vida. Quando temos isso bem claro, é muito provável que consigamos concretizá-lo.

  • Define uma meta realista.

 É importante que tenhas bem presente o teu estado corporal neste momento, e o que desejas alcançar realisticamente.

Para isso, sugiro que te olhes ao espelho despida e te observes com verdadeira consciência, mesmo as zonas que menos gostas e em que os olhos teimam em desviar-se. Sei que isto pode causar-nos muito desconforto, mas no processo é importante a aceitação de nós próprios exatamente como somos.

É importantíssimo conhecermos o ponto de onde estamos a partir para gerar mudanças positivas e não mudanças baseadas na ideia falsa do teu aspecto. Aceitares o teu peso tal como é, irá permitir-te criar as condições certas para a mudança de hábitos e consequentemente do teu peso e forma física para sempre.

Pega num papel e caneta e escreve as primeiras palavras que te venham à cabeça sobre comida. Faz o mesmo exercício para um alimento saudável e um alimento pouco saudável.

Perceber a linguagem que utilizamos em torno da comida e a forma como o sentimos pode ser surpreendente.

Deixo-te algumas dicas que poderás por em prática para te ires familiarizando com o Mindfulness na alimentação:

  • Quando sentes fome, presta atenção ao teu corpo e mente para identificares se realmente é fome o que sentes.

Muitas vezes o que sentimos é sede, ou então algum sentimento ou emoção que estão a levar-nos compulsivamente em busca de conforto na comida.

Ao fazeres isto estás a dar tempo a ti própria de refrear o impulso de te socorreres da comida compulsivamente.

  • . Agradece o alimento.
  • . Não uses gadgets, não vejas televisão ou não leias na hora da refeição. Mesmo que seja um simples snack. Usa os teus 5 sentidos para explorar o que estás a comer.
  • . Pousa o garfo entre cada garfada. Se for um snack pousa o alimento até estares pronta para a próxima dentada.
  • . Desfruta do teu alimento plenamente consciente.
  • . Sê grata a ti própria por te permitires estar a ingerir alimentos que te nutrem verdadeiramente e contribuem para o teu bem-estar físico.
  • . Mesmo que estejas a comer um alimento menos saudável, fá-lo conscientemente e sem culpa, saboreia-o de igual forma e verás que te sentirás saciada com muito menos quantidade.

Bom Apetite e não te esqueças…ESTÁ TUDO BEM

@orlanda_sampaio

Sugiro que faças este exercício, pois é uma ótima forma de te familiarizares com a prática de alimentação consciente.

Nota: Relativamente a este assunto há muito para dizer, por isso, recomendo a seguinte bibliografia: “Alimentação e Mindfulness” de Andy Puddicombe da editora nascente. É muitíssimo esclarecedor e completo.

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