Não me atrevo, Ângelo


A propósito de todas as notícias a que temos assistido nos últimos dias relativamente ao estado de… saúde do Ângelo Rodrigues, o qual muito lamento por tudo o que está a passar, e ao qual desejo o melhor e o mais positivo desfecho, impelida por tantos e tão diversos comentários menos favoráveis que tenho ouvido (as pessoas lamentam muito, mas…não perdem oportunidade de fazer o comentário; Ele pôs-se a jeito. Já sabia o que podia acontecer, etc.), não consigo evitar partilhar aqui o que penso sobre o assunto.

Se quiserem, encarem isto como um devaneio, não tenho a pretensão de advogada de defesa do Ângelo e tão pouco a ambição de trazer luz ao mundo. Talvez só um pouco mais de Empatia, porque, quem nunca errou, que mande a primeira pedra!

Embora muito boa gente possa censurar as opções que o Ângelo, alegadamente, fez, qual é a legitimidade de qualquer um de nós, para criticar com o nível de informação que é publico?

Nós que vivemos numa sociedade em que valoriza sobretudo o parecer em detrimento do ser, que te avalia pelo que pareces ou possuis, que nos empurra para a superação do corpo e da imagem a qualquer custo, sem olhar a meios, que nos bombardeia o tempo todo com anúncios de corpos imaculados, como uma virtude inultrapassável para sermos humanos perfeitos.

É verdade, somos adultos e, supostamente, responsáveis pelo que fazemos e pelos caminhos que escolhemos.

Porém… sim, porque há sempre um, porém, quem nunca na vida se enganou no caminho?

Quem nunca enveredou pelo caminho errado a achar que seria o certo e, não sendo, estaria sempre a tempo de retroceder?

Quem nunca cometeu abusos a achar que seria por um bem maior e apenas uma fase?

Somos e devemos ser responsáveis, sim!

Devemos estar preparados para arcar com as consequências dos nossos atos, sim!

Mas…somos todos humanos!

Fazemos coisas erradas para nos superarmos a achar que são certas, ou pelo menos que são sacrifícios que valem a pena.

Corremos riscos e pomo-nos em risco, a acreditar que para nós correrá bem, que nós não somos os outros e contornaremos as estatísticas.

Esquecemo-nos que não existe EU e os Outros, existimos, simplesmente, NÓS.

Ao Ângelo, desejo, uma vez mais, rápidas melhoras e toda a força para enfrentar o que ainda estará para vir.

Desejo que ele possa conseguir abraçar as suas novas circunstâncias com coragem e determinação.

Acredito que o Ângelo superará o que lhe está a acontecer, ganhará, aprenderá e não ficará com toda a certeza igual.

Não me atrevo a julgar ou sequer aceito ser julgada por opções que só os próprios saberão as circunstâncias motivadoras de decisões, aparentemente, pouco sensatas.

Faz-te um favor, não julgues um livro só porque viste a capa. Amanhã a capa pode ser a tua.

Ficará, tudo bem…

@orlanda_sampaio

Comments

  1. João

    Muito bom!
    De facto vale a pena pensar na facilidade com que se fazem juízos de valor.
    Parabéns pelo texto e pela coragem.
    Continua.

    1. admin.123

      Olá João,
      Obrigada pelo teu comentário.
      É bom saber que desse lado alguém nos lê.
      ESTÁ TUDO BEM…
      orlanda_sampaio

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