Que valores estamos a transmitir às nossas crianças?


Considero este tema urgente. A falta de valores está completamente instalada na nossa sociedade e isso começa… a ser um reflexo claro nas nossas crianças e adolescentes.

Temos crianças e adolescentes cada vez mais agressivos e a prova disso são as notícias recorrentes de agressões em ambiente escolar.
O que está a acontecer? Que valores não estamos a conseguir transmitir-lhes?


Estes seres são unicamente o reflexo da sociedade que temos vindo a criar.
Embora se fale muito de falta de tempo dos pais, considero que este não é o principal fator responsável pela forma como as crianças e adolescentes se comportam.
Eu e o meu irmão também somos filhos de pais com falta de tempo. Saiam de casa de manhã bem cedo para trabalhar e voltavam ao final do dia, exaustos. Comecei a ir para a escola a pé e sozinha com 6 anos e honestamente não me recordo de alguma vez os meus pais me perguntarem se tinha trabalhos de casa, ou se quer, saberem a data dos meus testes. No entanto, fomos crianças muitíssimo felizes e tornámo-nos adultos responsáveis, emocionalmente saudáveis e bem-sucedidos. Dirão alguns eram outros tempos, o que não deixa de ser verdade.


Mas sabem o que tenho muito presente na minha memória?

Recordo-me vivamente que os meus pais me deixavam ser criança!
Recordo-me que não matavam a minha criatividade!
Recordo-me que brincava, brincava muito!


Um investigador clínico – Dr. Stuart Brown – também fundador do National Institute for play e autor do livro intitulado Play: How it Shapes the brain, Opens the imagination and Invigorates the soul (Brincar: como molda o cérebro, desencadeia a imaginação e Revigora a alma), fez uma pesquisa em que explica que a brincadeira molda o nosso cérebro, é impulsionadora da criatividade e da inovação, promove a empatia e ainda nos ajuda a mover-nos entre grupos sociais complexos. O Dr. Brown explica que o contrário de brincadeira não é o trabalho, mas sim a depressão.


Lembro-me que a preocupação dos meus pais, nunca foram as roupas de marca, ter o melhor carro, melhor casa, ou sequer “o ter” ou, “ser melhor” que o vizinho do lado.
Quero com isto dizer que as nossas crianças e adolescentes, seguem o nosso exemplo e não o que lhes ensinamos verbalmente ser correto.”


Vivemos numa sociedade em que o que conta é “ser melhor que…”, “ter mais que…”, isto chama-se comparação.
Quando nos comparamos estamos a matar a nossa criatividade e a perder a única oportunidade que temos de deixar a nossa marca singular no mundo. Não mostramos às nossas crianças e adolescentes que a comparação nos impossibilita a auto-aceitação e a autenticidade.


Nós pais, vivemos com a culpa de não ter tempo suficiente para dar a devida atenção aos nossos filhos, o que nos leva a compensá-los com bens materiais. As melhores roupas, os gadgets topo de gama etc.
Inscrevemos os nossos filhos em vários desportos diferentes ao mesmo tempo, no inglês, no piano, no violino, no ballet, na esperança que sejam os melhores e se sintam realmente preenchidos, ou nós.


Será que na sociedade em que vivemos, ter uma vida “normal”, “simples” e feliz já não conta para nada?
Para mim a resposta é direta: conta se for o que é importante para nós!
Porque não ensinamos as nossas crianças e adolescentes a abriram os seus corações e a tirarem as suas armaduras de auto-proteção para serem realmente vistos? É só disso que precisam, ser vistos, escutados e levados em conta.
Somos claramente uma sociedade de adultos exaustos e insatisfeitos a criar crianças e adolescentes atarefados e futuros adultos muito pouco profundos.


Também acredito que a escola tem um papel importante na formação destas crianças e adolescentes, na medida em que considero que deve ser um espaço que permita aos alunos serem autênticos, curiosos e exploradores.
Acredito que os professores podem ser grandes líderes, e são vistos dessa forma pela maioria dos alunos, por isso, também lhes cabe a responsabilidade de criar um espaço na sala de aula onde seja permitido a todos os alunos, entrar e tirar o peso dos seus receios e inseguranças para que realmente possam mostrar quem são verdadeiramente.
Deve-lhes ser permitido em qualquer espaço e por qualquer pessoa, o que inclui pais, cuidadores, escola e professores serem curiosos, exploradores do mundo e das oportunidades da vida sem se sentirem asfixiados e manipulados.


É por tudo isto que considero urgente permitir que as crianças e adolescentes tenham a sensação de pertencimento, seja em que lugar for e, que sintam que lhes é permitido viver sem armaduras e sem mascaras. Acredito do fundo do coração que isto poderá mudar o rumo de muitas vidas.✨❤

ESTÁ TUDO BEM…????

@orlanda_sampaio

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