Vergonha

“Vergonha é a maior e mais poderosa das emoções. É o medo de não sermos bons o… suficiente.” Brené Brown

Embora a vergonha seja sentida por todos, sem exceção, é um tema do qual se evita falar, mesmo na comunidade científica das emoções.

Todos sentimos vergonha, independentemente de género, estatuto, crença ou raça. Só não sentem a vergonha, pessoas com incapacidade para sentir conexão ou empatia.

Sem percebermos, vamo-nos afastando uns dos outros e perdendo a sensação conexão e pertença.

O meu intuito com este blog, é que te sintas mais conectada e acompanhada, no que sentes, no que te desafia, no que pensas quando estás sozinha. Chama-se empatia.

A empatia gera sensatez o que pode, por sua vez, potenciar a amabilidade e o sentido da humanidade partilhada.

Durante muitos anos, nunca quis aprofundar o meu pensamento sobre a vergonha e, muito menos, falar e trovar experiências sobre isso com outras pessoas.

Mas a determinada altura, percebi que isso me estava a condicionar a maturidade emocional e o meu autoconhecimento. Quando não partilhas o que te envergonha, começas a acreditar que de facto sentes coisas que mais ninguém sente, começas a sentir-te cada vez mais insuficiente. A vergonha aumenta a desconexão, a superficialidade e, por fim, o isolamento.

ESTÁ TUDO BEM…

Depois de sobreviver a tantos momentos de vergonha, estou pronta para te confessar o que é, para mim, vergonha.

Deixa-me respirar…

Vou resumir-te alguns exemplos que espelham em mim a vergonha do julgamento dos outros:

– Não conseguir ser boa mãe;

Não estar à altura do marido que tenho;

– A doença do meu marido. Não poder ajudá-lo, apenas apoiar;

Ter POC (Perturbação obsessiva compulsiva); (todos sabemos como ainda são conotadas as doenças mentais na nossa sociedade, unicamente por falta de informação).

Reparaste que usei sempre a primeira pessoa e comecei por: “vergonha do julgamento dos outros”. Pois é exatamente o gap entre “o que penso que os outros julgam sobre a minha pessoa e o que é verdadeiro”. É um confronto intelectual estéril porque:

– Não sei o que os outros julgam;

– Não sei qual é o perímetro concreto dos outros, que me interessa;

– Eu sou a primeira consequência de mim própria, dos meus atos;- Não sei se me interessa o barómetro ou escala de avaliação leviana dos outros;

Durante a minha terapia, uma das emoções que mais trabalhei foi a vergonha.

A minha terapeuta é Coach certificada do programa Daring Way da “Brené Brown”.

 A vergonha, como saberás, assenta sempre no medo do julgamento.

Tendemos a acreditar que fugimos do julgamento dos outros.

Sabes, realmente o que é a vergonha?

É o critico, o monstro que está por trás da porta, quando a abres, para entrar na tua arena, para ousar e ser vista, a dizer-te:

Não vais conseguir fazer… ;

Não és suficientemente boa para… ;

Não foste educada dessa forma, por isso… ;

Ninguém vai querer ouvir o que tens para dizer, então… ;

Sei que ainda não estás preparada, desiste… ;

Mas, acreditem, quando olhamos para cima, e ousamos olhar o nosso “monstro critico” nos olhos, a esmagadora maioria das vezes, o nosso maior critico, somos nós.

O nosso receio de arriscar ou a pouca motivação para conviver paredes meias com a dúvida. Esta associada à inércia são o nosso monstro. A dúvida alimenta abundantemente a inércia, ou o contrário, dependendo da fase da vida em que te encontras, por isso o monstro não parará de crescer até que lhe cortes a alimentação.

Aprende, fazendo! Erra, corrige, recomeça! Ousa, falha e levanta-te! – É o melhor que te posso dizer!

Os analistas junguianos chamam à vergonha “o pântano da alma”. Foi difícil para mim, calçar as galochas e entrar no pântano, mesmo sendo só para visitar e não para morar lá. No final da visita, consegui sair descalça. Já não precisava das galochas, já não tinha receio de enterrar os pés no lodo deste pântano.

Se doeu, porventura sim! Se humilhou, talvez! Mas fá-lo-ia outra vez sem qualquer sombra de duvida.

O que escrevo aqui, a forma como escrevo, pode fazer-te crer que, para mim, é fácil, que me propus a aprofundar o conhecimento sobre mim e foi sucesso garantido. Não é, de todo, verdade!

Tive muitos insucessos, continuo a ter! Já falhei, sim! Algumas vezes miserável e inocentemente! Já me senti, outras tantas, insuficiente.

A diferença entre o antes e o agora, é que:

ESTÁ TUDO BEM…O medo de falhar já não me paralisa!

@orlanda_sampaio

Comments

  1. Clotilde Silva

    Adorei o texto Orlanda !!! É uma realidade difícil de enfrentar e muitas vezes mesmo escondida por ser mais fácil mais confortável!! Um beijinho muito grande

    1. admin.123

      Olá querida Clotilde.
      Fico feliz que tenhas gostado.A vergonha é uma coisa que todas sentimos, mas da qual ninguém quer falar.
      Bj grande e até breve
      ESTÁ TUDO BEM…
      @orlanda_sampaio

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