Viver com POC

Viver com POC, é uma luta diária, luta desigual algumas vezes, entre mim e a minha mente… Porém, ajuda muito saber do que se trata, aprender a gerir os sintomas e viver de forma consciente, em atenção plena.

Não sendo psiquiatra, nem psicóloga – assumo-me como paciente interessada, informada e experiente – sinto que estou perfeitamente apta para te dar uma breve explicação sobre a POC, uma vez que vivo com ela todos os dias, há mais de 3 décadas.

Classificada como doença mental, a Perturbação Obsessiva Compulsiva (POC) é caracterizada por obsessões recorrentes (pensamentos indesejados e incontroláveis) e comportamentos repetidos de forma compulsiva (indesejada). Estes comportamentos têm origem num distúrbio de Ansiedade, que mantém a pessoa num estado de alerta, em que os pensamentos de proteção surgem para dar resposta a uma situação potencialmente perigosa, ou percebida pelo “doente” como perigosa.

Quando estes pensamentos persistem e se tornam repetitivos, mesmo quando o perigo não é real, estamos perante a Perturbação Obsessiva Compulsiva (POC) – que, naturalmente, como todas as doenças, pode ter maior ou menor gravidade – isso mede-se pelo impacto que tem nas nossas vidas e rotinas diárias.

Este transtorno pode ser ou tornar-se extremamente limitador em todas as áreas da vida diária, se não for diagnosticado e depois tratado de forma adequada e séria.

As pessoas com POC podem manifestar uma série de sintomas, tais como, tensão, ansiedade intensa, sentimento de medo e insegurança, sentimentos de culpa, pensamentos repetidos e frequentes, suores frios, aumento da frequência cardíaca, tremores, estado de alerta constante, perda de sono, aperto no tórax (devido a contração muscular involuntária), náuseas, alterações súbitas de humor, rituais repetidos.

Algumas das obsessões possíveis e mais frequentes são:
Ter pensamentos intrusivos perturbadores, sobre temas concretos (âncoras) que não conseguimos desligar  ;
Ter dúvidas constantes sobre o que deve ou não fazer e, por isso, incapacidade de tomar decisões, o que nos torna muitíssimo influenciáveis e à mercê do carácter de quem nos rodeia;
Ter medo de doenças ou de morrer;
Medo de perder o controlo e causar danos a si ou aos outros;
Medo da Contaminação;
Inquietação com a possibilidade da organização / arrumação / sequência de acontecimentos não estar perfeitamente de acordo com o que imaginaste.

Exemplos de Compulsões;
Evitar situações que possam desencadear comportamentos compulsivos;
Lavar as mãos (ou outras partes do corpo) de forma repetida;
Estar de forma repetida a limpar/ arrumar/organizar;
Verificações constantes e repetidas inúmeras vezes;
Examinar detalhadamente partes do seu corpo;
Repetição de palavras ou contagens para prevenir que algo de mal aconteça;

Neste momento do texto já deves estar, WOW, completamente horrorizada, a pensar, como é possível viver assim e a ter imensa pena de mim!

Minha querida, ESTÁ TUDO BEM…

Boas notícias: para quem vive com POC e também para quem não tem de a aturar:

É possível viver muito bem com POC – nesta fase, tenho largos períodos da minha vida em que a POC não me acompanha.

Existe medicação para tratar os sintomas da POC – fiz durante alguns anos, ultimamente só faço pontualmente.

É possível com ajuda, especializada e competente, perceber quais as crenças e âncoras que estão na origem das obsessões e aprender a gerir os sintomas.

Eu, felizmente, tive uma terapeuta muito competente, que me ajudou bastante. Ainda hoje recorro a ela quando preciso de orientação, para mergulhar mais fundo no meu autoconhecimento.

Existe uma prática fantástica que ajuda imenso em todas as áreas da nossa vida e também na gestão da ansiedade, Mindfulness.
A mim, ajuda-me bastante, é cada vez mais uma forma de estar na vida.

ESTÁ TUDO BEM…
Se não fosse a POC, muito provavelmente neste momento, não estaria a escrever para ti ;)!

@orlanda_sampaio

Add A Comment